O setor imobiliário é o grande protagonista da Bolsa em 2025. Mesmo com a taxa Selic no maior patamar em quase 20 anos, o índice imobiliário (IMOB) acumula alta de 69% até 6 de novembro, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

A valorização é explicada por uma combinação de fatores: a expectativa de início da queda dos juros em 2026, o aumento dos lançamentos e vendas no fim de 2024 e a forte entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro.

De acordo com Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, “o desempenho do IMOB em 2025 não se explica apenas pelo ciclo de juros. Relatórios setoriais apontam que o mercado imobiliário brasileiro registrou crescimento substancial de lançamentos e vendas no fim de 2024, o que gerou um efeito de base para valorização das incorporadoras em 2025.”

Outro ponto de destaque é o comportamento dos dois nichos mais resilientes à Selic elevada: o da alta renda, que mantém poder de compra mesmo com juros altos, e o da baixa renda, impulsionado pela ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida.

Para Rodrigo Santoro, superintendente de renda variável da Bradesco Asset, “as empresas desse segmento vêm conseguindo crescimento de rentabilidade, justificando a boa performance no ano.”

Daniel Gewehr, estrategista-chefe de ações do Itaú BBA, reforça que o setor imobiliário reúne as empresas mais líquidas da Bolsa dentro desses dois perfis. “As companhias do Minha Casa, Minha Vida são mais inelásticas em relação aos juros, com uma demanda reprimida gigantesca, enquanto os projetos de alto padrão dependem menos de financiamento.”

O bom desempenho do setor reflete ainda a confiança de investidores estrangeiros. Segundo Gewehr, “quando o estrangeiro quer entrar na Bolsa brasileira, busca liquidez e relevância dentro do índice, o que as incorporadoras vêm oferecendo.”

A expectativa é que o movimento de valorização continue nos próximos meses, sustentado pela perspectiva de cortes na Selic, pela entrada de novos recursos e pela estabilidade macroeconômica. “Acreditamos que 80% do movimento da Bolsa está ligado ao cenário global, com o dólar mais fraco e a queda de juros nos Estados Unidos”, diz Gewehr.

Com esse desempenho, o mercado imobiliário se consolida como um dos setores mais promissores de 2025, combinando boas perspectivas de rentabilidade e uma base sólida de demanda tanto no segmento popular quanto no de alto padrão.

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Informações retiradas de Maeli Prado a Folha de São Paulo