O mercado imobiliário carrega uma tradição longa. Durante décadas, as salas de reunião, os conselhos e as decisões mais estratégicas foram ocupados por homens. O curioso é que, quando analisamos a história, percebemos que a mulher só pôde atuar formalmente nesse setor há 63 anos.
É pouco. É recente. É injusto.
Ainda assim, em tão pouco tempo, a presença feminina transformou o mercado de maneiras profundas.
Segundo o COFECI, o número de mulheres corretoras cresceu 144% na última década. Hoje, elas já representam mais de 40% dos profissionais do setor.
E isso não é uma estatística isolada: pesquisas mostram que 87% das decisões de compra de imóveis no Brasil são influenciadas diretamente por mulheres. Ou seja: elas vendem, compram, escolhem, decidem, influenciam e movimentam a roda do mercado.
Mas há um detalhe: apesar de liderarem equipes, fecharem milhões em negócios e ocuparem posições cada vez mais estratégicas, as mulheres ainda encontram um teto invisível na hora de chegar ao topo. Os cargos de CEO, CFO e conselho continuam majoritariamente masculinos.
2026 precisa ser o ano em que isso muda: não pela simbologia, mas pela estratégia.
1. O mercado só será eficiente se for, de fato, diverso
Diversidade não é uma agenda para agradar ninguém. É eficiência, performance e competitividade.
Um levantamento da Brain Inteligência Estratégica, com 21 executivas do setor imobiliário, revelou um padrão claro: mulheres que chegaram longe têm sólida formação acadêmica, visão de negócio e resiliência acima da média.
Ainda assim, relatam situações de desrespeito velado, estereótipos e a necessidade constante de provar sua competência — algo que seus pares masculinos não precisam fazer.
Quando uma empresa insiste em operar com apenas um tipo de liderança, perde repertório, criatividade e velocidade.
2. A tecnologia pode ser uma grande aliada da equidade
As mulheres se destacam no setor por características que o mercado finalmente começou a valorizar: atenção aos detalhes, leitura do contexto, flexibilidade, comunicação e foco na experiência do cliente.
Mas existe outra camada: a tecnologia reduz carga operacional e amplifica estratégia.
Ferramentas digitais permitem que as lideranças femininas tenham mais tempo para aquilo que importa: análise, gestão, tomada de decisão e inovação.
2026 pode ser o ano em que tecnologia e equidade caminham juntas no imobiliário. Empresas que não entenderem isso vão perder espaço para quem já entendeu.
3. A cultura interna precisa acompanhar o discurso externo
Na prática, ainda há um abismo entre o que muitas empresas dizem e o que fazem.
“Valorizamos mulheres”, “defendemos a diversidade”, “aqui todo mundo tem oportunidade”.
Mas, quando olhamos para quem decide, a pergunta é:
Quantas mulheres têm o poder real da última palavra?
Equidade não nasce do acaso — nasce da intencionalidade.
Medidas essenciais para 2026:
- Processos de promoção transparentes
- Avaliação por critérios objetivos
- Redes de mentoria e formação
- Respeito à maternidade e flexibilização de jornada
- Licenças como políticas estruturais
- Conselhos e diretorias com diversidade real
A mudança está na coragem de reestruturar o sistema.
4. O futuro do mercado é feminino — e isso é uma vantagem competitiva
Não fazemos isso por ser “bonito”. Fazemos porque funciona.
Mulheres no topo trazem perspectivas que ampliam resultados:
- Times mais empáticos
- Gestão mais conectada
- Decisões mais equilibradas
- Ambientes mais produtivos
O mercado imobiliário tem pressa: precisa de inovação, rapidez e visão humana — e isso nasce de lideranças plurais.
5. 2026 será o ano da virada para quem escolher agir
Minha geração — a Geração Z — cresceu vendo o impacto das mulheres nos espaços profissionais… e também vendo que elas ainda não estão onde deveriam estar.
Agora, no comando de empresas, temos a responsabilidade de transformar essa pergunta em ação.
Não basta abrir portas. É preciso construir caminhos.
Se em 2021 o futuro parecia feminino, e em 2025 ficou evidente que as mulheres movem o setor, 2026 precisa ser o ano em que elas lideram — não por exceção, mas por estrutura.
O mercado imobiliário só terá o futuro que merece se refletir a pluralidade do país.
E isso significa uma coisa simples: não existe inovação sem mulheres.
* As opiniões expressas pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a visão do Papo Imobiliário.
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