Desde 13 de outubro, novas regras de crédito imobiliário passaram a valer no país e ampliaram o valor máximo de imóveis financiáveis com recursos do FGTS para até R$ 2,25 milhões — medida que amplia as alternativas de compra especialmente para a classe média. O governo federal lançou, em São Paulo, um modelo que moderniza o SBPE, libera recursos retidos no Banco Central e oferece mais flexibilidade na concessão de financiamentos habitacionais.

O novo sistema deve liberar R$ 111 bilhões no primeiro ano, sendo R$ 52,4 bilhões a mais do que o modelo atual, com R$ 36,9 bilhões disponibilizados imediatamente. Um dos pilares da mudança é a liberação total, ao longo de dez anos, dos depósitos compulsórios da poupança — atualmente, 20% ficam retidos no Banco Central e não podem ser usados para crédito. Agora, os bancos poderão acessar esses valores desde que comprovem a concessão de financiamentos equivalentes.

A liberação inicial de 5% do compulsório já coloca entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões no mercado, principalmente com a adesão da Caixa Econômica Federal, líder no financiamento habitacional. De acordo com o ministro das Cidades, Jader Filho, “até 2026 a Caixa poderá financiar 80 mil unidades a mais para a classe média graças à medida”. A partir de 2027, a liberação será gradual — 1,5 ponto percentual por ano, até que toda a fatia de 20% seja incorporada ao crédito imobiliário.

O objetivo também é estimular instrumentos de mercado, como LCIs, garantindo um fluxo maior de crédito sem pressionar os juros. Na prática, “cada R$ 100 emprestados destravam R$ 100 da poupança para aplicação livre”.

Para o economista Caio Dias, mestre em economia pela FGV, “a medida deve tornar o mercado de crédito imobiliário mais dinâmico, criando alternativas para os bancos e estimulando operações que antes não eram viáveis”. Ele pondera que ainda não há garantia de redução imediata do custo ao comprador, especialmente em cenário de Selic a 15% ao ano, mas prevê maior acesso ao financiamento imobiliário.

Dias lembra que a poupança tem perdido relevância como fonte de funding, enquanto LCIs e CRIs ganham espaço após mudanças regulatórias que ampliaram sua atratividade.

Prazos, limites e direcionamento do crédito

Os recursos liberados serão destinados, prioritariamente, ao SFH, que limita juros a 12% ao ano.
A distribuição permanece:

  • 80% para o SFH
  • 20% para operações no SFI (com taxas de mercado)

O prazo para que o financiamento seja contabilizado como direcionamento varia conforme o valor do imóvel:

Valor do imóvel Enquadramento Prazo para contabilização
Até R$ 1 milhão SFH 7 anos
R$ 1 milhão a R$ 2,25 milhões SFH 6 anos
Acima de R$ 2,25 milhões Fora do SFH 5 anos

Segundo o Ministério das Cidades, o novo modelo também amplia a concorrência ao incluir depósitos interfinanceiros imobiliários, permitindo que instituições que não captam poupança também atuem no financiamento.

Segurança jurídica exige atenção aos contratos

A advogada Siglia Azevedo, especialista em direito imobiliário, avalia que a ampliação do crédito cria oportunidades, mas aumenta a complexidade regulatória e contratual. Ela alerta para a necessidade de “observar atentamente a clareza das cláusulas, a origem dos recursos e a regularidade documental”.

Com mais liquidez, segundo ela, cresce o risco de “inconsistências cadastrais, sobreposição de garantias ou fraudes documentais”. Por isso, Siglia defende que assessoria jurídica preventiva passa a ser essencial:

“O mercado imobiliário sustentável depende de segurança jurídica. Não basta abrir o crédito, é preciso orientar o comprador, revisar contratos com rigor técnico e prevenir conflitos antes que eles cheguem ao judiciário”.

Como usar o FGTS com as novas regras

Passo a passo para financiar ou comprar seu imóvel

Etapa O que fazer Detalhes
1 Verificar saldo do FGTS Válido para trabalhadores com carteira assinada e servidores
2 Conferir valor do imóvel Até R$ 2,25 mi no SFH; acima disso, SFI
3 Escolher imóvel e banco SFH: juros até 12% ao ano; SFI: taxas de mercado
4 Usar FGTS Entrada, amortização ou abatimento de parcelas
5 Atender requisitos Mínimo 3 anos de FGTS, sem imóvel no SFH, renda compatível
6 Observar prazos escalonados Variam conforme o valor do imóvel (5 a 7 anos)
7 Consultar banco ou Caixa Instituição calcula uso do FGTS e condições do financiamento

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Informações retiradas de Murilo Melo ao E-Investidor