O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião encerrada nesta quarta-feira (5). O comunicado reforçou o tom de cautela e não indicou cortes no curto prazo, contrariando parte do mercado que esperava sinais de maior flexibilidade na política monetária.

Esta é a terceira reunião consecutiva sem cortes desde que a Selic atingiu o patamar de 15% em junho.

Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, o texto divulgado foi “neutro/hawk”, com “pouca mudança e pequena redução na projeção de inflação no horizonte relevante”. Ele avalia que “o tom segue mais duro, contrariando a expectativa de parte do mercado”.

Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, “o comunicado pode ser interpretado como ligeiramente hawkish pelo mercado, mas neutro em relação à visão majoritária dos economistas”. Ela afirma ainda que “a barra para cortes em janeiro ficou um pouco mais alta, mas ainda há tempo até lá”.

O Copom manteve o discurso de política monetária restritiva, destacando que “para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

Parte do mercado esperava um sinal mais brando. “Há um cenário de desinflação, melhora gradual da expectativa de inflação e um juro real ainda entre os mais altos do mundo – o que permitiria uma postura mais branda sem comprometer a credibilidade da política monetária”, afirma Bruno Shahini, especialista da Nomad.

Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital, ressalta que a decisão foi unânime, mas o tom surpreendeu. “Ele manteve o tom duro da ata quando todo mundo já imaginava uma sinalização um pouco mais tranquila”, analisa.

Camilo Cavalcanti, gestor da Oby Capital, observa que o comunicado reforça o cenário externo incerto e a moderação do crescimento econômico, além de reconhecer um mercado de trabalho ainda dinâmico.

Sobre a inflação, Bolzan destaca que o Copom “reconhece que a inflação está arrefecendo, o que é muito positivo, mas que ainda assim se mantém acima da meta”.

De acordo com a Warren, o horizonte relevante da política monetária foi deslocado do 1º para o 2º trimestre de 2027, e a projeção de inflação caiu de 3,4% para 3,3%, em linha com as expectativas de mercado. Para os economistas da instituição, “o ajuste na redação é compatível com o movimento feito na última ata, no qual sinalizou que esse é o nível terminal deste ciclo”.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, reforça que “a projeção de inflação do BC para o prazo relevante da política monetária já está em 3,3%, bem próxima do centro da meta”, e que “a queda da inflação deve seguir consistente, ainda que lenta”.

Para Volnei Eyng, CEO da Multiplike, a decisão “reforça o compromisso com o controle da inflação” e mostra preocupação com o cenário fiscal. Ele afirma que “manter o remédio forte agora ajuda a reduzir o juro médio futuro”.

Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, o tom cauteloso traz estabilidade: “A manutenção dos juros reduz a volatilidade, permite planejamento e confirma que o Brasil atravessa o ciclo de aperto monetário com credibilidade intacta”.

Natalie Victal, da SulAmérica, mantém a projeção de início do ciclo de cortes em março, com taxa terminal de 11,5%. Já Lucas Constantino, estrategista da GCB Investimentos, prevê o início dos cortes apenas em janeiro de 2026, com Selic encerrando o ano em 12%.

Do lado produtivo, a decisão gerou críticas. A FIEMG afirmou que a Selic em 15% “freia a produção e enfraquece a indústria”. A CNI classificou a manutenção como um “duro golpe” à economia, já que o juro real supera 10%, “inibindo investimentos e consumo das famílias”.

O setor da construção também reagiu. Segundo Renato Correia, presidente da CBIC, “o prolongamento ameaça frear investimentos na construção, comprometendo novos lançamentos e a geração de empregos”. Ele alerta que “uma Selic de 15% por um ciclo longo traz desafios, porque o setor depende de financiamento de longo prazo, e esse custo torna muitos projetos inviáveis”.

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Informações retiradas de Élida Oliveira a InfoMoney