Os pedidos de execução hipotecária voltaram a crescer em outubro nos Estados Unidos, após um período prolongado de níveis historicamente baixos. Embora a atividade permaneça moderada, a sequência de altas acende sinais de fragilidade no setor, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (13) pela Attom, empresa especializada em análise imobiliária.

Foram registrados 36.766 imóveis em alguma etapa de execução hipotecária — desde notificações de inadimplência até reposse pelas instituições financeiras. O volume representa alta de 3% em relação a setembro e 19% na comparação com outubro de 2024, marcando o oitavo aumento anual consecutivo.

A etapa inicial dos processos cresceu 6% no mês e já está 20% acima do nível do ano anterior. Já as execuções concluídas avançaram 32% na mesma base de comparação.

“Mesmo com esses aumentos, a atividade permanece bem abaixo dos patamares históricos. O que vemos é uma normalização gradual”, afirmou Rob Barber, CEO da Attom. Ele explica que parte dos proprietários enfrenta custos mais altos de habitação e crédito.

Onde o impacto é maior

Os estados da Flórida, Carolina do Sul e Illinois registraram os maiores volumes de processos. Entre as regiões metropolitanas, destaque para Tampa, Jacksonville e Orlando, seguidas de Riverside (Califórnia) e Cleveland.

No recorte das execuções já finalizadas, Texas, Califórnia e Flórida lideram. Isso pode fortalecer a oferta de imóveis retomados e com preços mais baixos — porém, a forte demanda por unidades mais acessíveis indica absorção rápida desses ativos.

Cenário ainda distante de 2008

Durante a crise financeira de 2008, mais de 4% das hipotecas estavam em execução. Hoje, o índice está abaixo de 0,5%, muito longe da média histórica entre 1% e 1,5%, afirma Rick Sharga, CEO da CJ Patrick Co.

A inadimplência geral também segue baixa: cerca de 4% das hipotecas estão atrasadas, ante quase 12% no auge da Grande Recessão.
“Não há sinais de um tsunami de execuções hipotecárias”, ressalta Sharga.
Mas ele faz um alerta: a inadimplência nos empréstimos da FHA já supera 11%, respondendo por mais da metade dos casos graves. “É provável que vejamos mais execuções envolvendo a FHA em 2026.”

Estados com queda nos preços dos imóveis e altos prêmios de seguro, como Flórida e Texas, já registram piora na inadimplência.

Pressões financeiras podem ampliar a deterioração

Mesmo com o recuo recente nos preços das residências, o nível ainda é elevado. As taxas de financiamento continuam próximas às máximas, apesar dos cortes de juros do Federal Reserve — o que frustrou compradores que esperavam refinanciar com condições melhores.

A inflação persistente e o endividamento recorde das famílias reforçam a pressão sobre o orçamento doméstico, em um contexto de desaceleração nas vendas de imóveis e menor valorização das propriedades.

“Nenhum desses fatores abalou de forma significativa o desempenho das hipotecas — ainda”, diz Sharga. “Mas seria irrealista supor que essas tendências […] não resultem em pelo menos um aumento moderado na inadimplência e nos calotes nos próximos meses”, conclui.

Quer continuar atualizado sobre o mercado imobiliário? Então se inscreva na nossa Newsletter. Todas as terças e sextas, às 7:15, nós enviamos no seu e-mail as principais notícias do mercado Imobiliário. Vejo você lá!

Informações retiradas de Diana Olick ao CNBC